“Querem punir a oposição e silenciar quem defende princípios”, diz Marcel van Hattem ao recorrer à CCJ contra suspensão do mandato

“Querem punir a oposição e silenciar quem defende princípios e valores. Nossa defesa demonstra claramente que não houve qualquer infração regimental ou quebra de decoro. O que existe é uma perseguição política disfarçada de processo disciplinar”, afirmou.
19 de maio de 2026

O deputado federal Marcel van Hattem (NOVO-RS) protocolou nesta terça-feira (19) recurso à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados contra a decisão do Conselho de Ética que determinou a suspensão de seu mandato parlamentar por dois meses. A defesa sustenta que o processo foi marcado por “graves vícios constitucionais, regimentais e procedimentais”, além de violação ao contraditório, à ampla defesa e ao princípio da isonomia.

No recurso apresentado à CCJ, a defesa afirma que a punição foi construída sobre uma acusação inconsistente e mutável ao longo do processo. Segundo os advogados, a representação original imputava a Marcel a ocupação da cadeira da presidência da Câmara, fato que o próprio relator posteriormente reconheceu não ter ocorrido. Ainda assim, o parecer manteve a punição com base em uma nova interpretação dos fatos, o que, segundo a defesa, compromete a individualização da conduta e rompe a correspondência entre acusação, prova e sanção.

Outro ponto central do recurso questiona o apensamento das representações contra Marcel, Marcos Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC) em um único procedimento disciplinar. A defesa sustenta que a tramitação conjunta prejudicou o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, ao misturar fatos, provas e estratégias defensivas distintas, além de alterar artificialmente a composição possível da relatoria do caso.

A defesa também reforça que não houve violência física, agressão ou qualquer ameaça durante a obstrução realizada no plenário da Câmara. Segundo o recurso, tratou-se de um protesto pacífico e político, realizado no contexto de obstrução parlamentar legítima, prática historicamente utilizada por diferentes partidos e parlamentares no Congresso Nacional. 

Para Marcel, a decisão do Conselho de Ética representa uma tentativa de intimidar parlamentares da oposição.

“Querem punir a oposição e silenciar quem defende princípios e valores. Nossa defesa demonstra claramente que não houve qualquer infração regimental ou quebra de decoro. O que existe é uma perseguição política disfarçada de processo disciplinar”, afirmou.

No recurso apresentado à CCJ, a defesa requer a nulidade da decisão do Conselho de Ética e o reconhecimento das violações constitucionais, regimentais e procedimentais ocorridas ao longo do processo. Marcel afirma confiar que a Comissão irá corrigir as irregularidades do caso e arquivar a representação.

“Tenho convicção de que a CCJ fará justiça e reconhecerá os vícios desse processo. Estamos falando de uma manifestação pacífica, sem violência física, sem agressão e amparada pela atuação parlamentar legítima da oposição. Acredito que essa perseguição será derrotada e que o processo será arquivado”, declarou.

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“O Alexandre de Moraes não me cala. Nunca me calou e não vai me calar hoje. O Brasil é um país que não se cala. Lula voltou ao poder, tentaram nos calar, teve gente que se amedrontou, teve gente que foi presa, inclusive, dois símbolos dessa injustiça que eu preciso citar hoje, Filipe Martins e Jair Messias Bolsonaro. Duas pessoas que não se dobraram à injustiça, representando milhares e milhares de brasileiros perseguidos. Mas nós estamos neste 7 de Setembro, Dia da Pátria, reunidos em Porto Alegre, pra dizer que o tempo deles está acabando. O Brasil vai se libertar. Nós somos os verdadeiros donos do Brasil”, afirmou Marcel.