A derrota do base do governo Lula na CPMI do INSS teve os deputados gaúchos Marcel van Hattem (NOVO) e Paulo Pimenta (PT) como protagonistas, com Marcel levando a melhor no confronto ao conseguir aprovar as quebras do sigilo bancário e fiscal de Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Em reunião realizada antes do início dos trabalhos, na quinta-feira (26), ficou definido que a votação dos 86 requerimentos ocorreria em bloco, ou seja, de uma única vez. Com maioria na Comissão, Pimenta acreditava que seria simples rejeitar os pedidos, entre eles as quebras de sigilos bancário e fiscal do filho de Lula. No entanto, a oposição se articulou rapidamente, sob liderança de Van Hattem, e solicitou verificação de votação, exigindo a identificação nominal dos presentes.
A verificação acabou sendo conduzida de forma simbólica cabendo ao presidente da CPMI, senador Carlos Viana, proclamar o resultado. Vianna afirmou que havia maioria favorável à aprovação dos requerimentos. Uma grande derrota para o governo Lula e para Paulo Pimenta.
“A estratégia do governo fracassou de forma retumbante. Em reunião antes do inicio dos trabalhos, falei que a oposição não via problema em votar os requerimentos um a um, inclusive os mais sensíveis, como as quebras de sigilo bancário e fiscal de Lulinha, do Banco Master e de parlamentares. Mas por insistência do líder do governo, Paulo Pimenta, inclusive na maior arrogância afirmou que se não votassem os requerimentos políticos deles, nós não votaríamos nada. Aliás, eles rejeitariam tudo. E foi graças a este movimento soberbo e mal calculado do governo do PT que nós aprovamos todos os requerimentos. A estratégia de blindar todos os investigados deu completamente errada e tivemos uma grande vitória”, afirma Van Hattem.
Marcel destaca ainda que a oposição apenas utilizou um instrumento previsto no regimento:
“Aprovamos simbolicamente, de forma legítima e transparente, todos os requerimentos. O governo tentou barrar as investigações em massa, mas e acabou vendo a manobra se voltar contra ele”, conclui o deputado.
Embora o procedimento tenha sido criticado pelo PT, inclusive com deputados petistas tentando agredir o presidente Carlos Vianna, trata-se de um mecanismo já adotado pelo PT em outras ocasiões, inclusive durante o próprio governo Lula.