Reconstrução da Serra Gaúcha exige resposta mais rápida do Estado, afirmam prefeitos

"Vamos buscar imediatamente uma audiência com uma comitiva da região para apresentar os pleitos ao Governo do Estado e ao secretário Pedro Capeluppi. É lamentável que o governo estadual não tenha enviado um representante para este encontro, mas isso não nos impedirá de cumprir nosso papel. Vamos levar pessoalmente as demandas ao governo gaúcho. Inclusive, vamos tentar agendar essa audiência já para a próxima segunda-feira (13), com o governador Eduardo Leite e representantes da Serra Gaúcha", afirmou Marcel.
6 de julho de 2026

Seminário da Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre os danos causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul reuniu lideranças em Bento Gonçalves

Prefeitos e lideranças da Serra Gaúcha cobraram mais agilidade dos governos estadual e federal na reconstrução da infraestrutura atingida pelas enchentes de 2023 e 2024 e defenderam a garantia de recursos para obras estratégicas na região. Durante reunião da Comissão Externa da Câmara dos Deputados que acompanha os danos causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, realizada em Bento Gonçalves, foram relatados atrasos em obras, dificuldades logísticas e a necessidade de assegurar investimentos para evitar que a recuperação seja interrompida.

O coordenador da Comissão, deputado federal Marcel van Hattem (NOVO-RS), destacou a importância de ouvir prefeitos, empresários e lideranças da Serra Gaúcha para compreender as principais demandas da região. Ele reafirmou o compromisso da Comissão de acompanhar a execução das obras e a aplicação dos recursos destinados à reconstrução e informou que as reivindicações apresentadas durante o seminário serão levadas ao Governo do Estado, que não enviou representante ao encontro desta segunda-feira (6).

“Vamos buscar imediatamente uma audiência com uma comitiva da região para apresentar os pleitos ao Governo do Estado e ao secretário Pedro Capeluppi. É lamentável que o governo estadual não tenha enviado um representante para este encontro, mas isso não nos impedirá de cumprir nosso papel. Vamos levar pessoalmente as demandas ao governo gaúcho. Inclusive, vamos tentar agendar essa audiência já para a próxima segunda-feira (13), com o governador Eduardo Leite e representantes da Serra Gaúcha”, afirmou Marcel.

Ao lamentar a ausência de representantes do Governo do Estado no encontro, o deputado Felipe Camozzato criticou as prioridades na destinação de recursos do Fundo da Reconstrução (FUNRIGS). Ele lembrou que, em reuniões anteriores da Comissão, prefeitos solicitaram recursos para pontilhões e pontes, com custos entre R$ 2 milhões e R$ 8 milhões, mas os pedidos não foram atendidos. Agora, o Fundo será utilizado para contratar uma agência de publicidade.

“É incompreensível destinar R$ 30 milhões do FUNRIGS para publicidade enquanto faltam recursos para pontilhões e pontes essenciais às comunidades, à resiliência e ao escoamento da produção. O Estado sempre alegou que o fundo era insuficiente para essas obras, mas, para publicidade, houve dinheiro. Isso é um absurdo”, afirmou Camozzato.

O prefeito de Bento Gonçalves, Amarildo Lucatelli, destacou que a região enfrenta as consequências das enchentes desde 2023 e criticou a demora do poder público na execução das obras.

“Esta é uma região que não foi afetada apenas em 2024. Desde setembro de 2023, sofremos os gravíssimos efeitos das enxurradas, dos transbordamentos e da destruição. A Ponte de Santa Bárbara, destruída em setembro de 2023, levou 600 dias para ter o contrato assinado e as obras serem iniciadas. É um exemplo do despreparo da estrutura pública para atender às demandas”, afirmou.

O prefeito de Veranópolis, Cristiano Dal Pai, reforçou que a recuperação da BR-470 é fundamental para garantir a retomada do desenvolvimento regional.

“Nosso principal objetivo hoje é a BR-470, entre Veranópolis e Bento Gonçalves. Precisamos receber insumos, escoar a produção, garantir o atendimento na saúde e fortalecer o turismo. Essa obra não pode parar. A região precisa voltar a crescer e também precisa de um fundo de reconstrução preparado para enfrentar novos eventos climáticos”, defendeu.

O relator da Comissão, deputado Pompeo de Mattos, destacou a importância da BR-470 para a região e cobrou do DNIT uma previsão para a liberação da rodovia. “A BR-470 é uma das rodovias mais importantes e, ao mesmo tempo, uma das mais frágeis. A gente sabe que segura aqui e ela despenca ali. Ontem passei por ela e já me avisaram que havia queda de barreira na região da Serra. E aí fica a preocupação: quando a rodovia será efetivamente liberada?”, questionou Pompeo.

Representando o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Adalberto Jurach apresentou um balanço das obras em andamento na BR-470 e ressaltou que o principal desafio agora é garantir recursos para concluir a recuperação da rodovia.

“Dos 115 pontos atingidos na BR-470, 65 já foram concluídos, 18 estão em fase final, 20 seguem em obras e outros 12 estão sendo iniciados. Esse avanço permitiu que, desde a semana passada, suspendêssemos o sistema de comboio e adotássemos o sistema de pare e siga. O DNIT também implantou na região um sistema de monitoramento por câmeras e de pluviometria. Agora, o nosso maior desafio é garantir a suplementação de recursos para dar continuidade às obras e concluí-las até o fim de 2026”, destacou.

O secretário extraordinário da Reconstrução, Ramon de Jesus, fez um balanço das ações do governo federal na Serra Gaúcha, entre elas o Auxílio Reconstrução, que beneficiou 3.701 famílias, com o repasse de R$ 18,9 milhões, além do apoio federal a 39 unidades de saúde, totalizando R$ 75 milhões, entre outras iniciativas.

Representando o setor produtivo, o presidente do CICS Serra, Edmilson Zortea, afirmou que a interrupção da logística foi o principal impacto sentido pelas empresas durante as enchentes.

“Se não fossem as iniciativas da sociedade civil, hoje nem teríamos a ligação via Cotiporã. A ponte sobre o Rio Carreiro foi construída graças à mobilização das empresas e da comunidade, permitindo restabelecer a conexão entre o Planalto e a Serra Gaúcha”, destacou.

O seminário faz parte de uma série de encontros promovidos pela Comissão Externa em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. A iniciativa busca ouvir as demandas locais, acompanhar o andamento das obras de reconstrução e cobrar que os recursos destinados às áreas atingidas pelas enchentes sejam aplicados de forma efetiva.

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"O trabalho para garantir esses recursos começou ainda durante a votação do Orçamento. Conversamos com o presidente Davi, com o relator Isnaldo Bulhões, com o DNIT e com os prefeitos da região para que essa obra fosse tratada como prioridade. Agora temos o compromisso de que os R$ 100 milhões estarão disponíveis para que essas intervenções finalmente avancem. São obras esperadas há muitos anos e fundamentais para salvar vidas, melhorar a mobilidade e dar mais segurança a quem utiliza diariamente a BR-116. Inclusive, essas obras nesse trecho já vão ser feitas com a previsão futura de duplicação da rodovia”, afirmou Marcel.
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"Saímos da reunião com o ministro para tratar justamente da crise climática que atingiu o Rio Grande do Sul e da renegociação das dívidas dos produtores rurais que perderam tudo, que nem têm mais o que dar em garantia. Já aprovamos a securitização na Câmara e no Senado, e vamos continuar até o fim defendendo esse texto enquanto o governo não apresentar uma proposta que esteja à altura da necessidade dos produtores gaúchos", afirmou Marcel.