Marcel van Hattem exige providências ao ministro da Justiça Lewandowski em defesa da imunidade parlamentar e cobra ação contra Fábio Shor

O parlamentar do Novo reforçou a defesa da prerrogativa constitucional que garante a liberdade de expressão aos congressistas
3 de dezembro de 2024

O deputado federal Marcel van Hattem (NOVO/RS) exigiu providências do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, diante do seu indiciamento pela Polícia Federal e cobrou uma ação judicial contra a conduta abusiva de Fábio Shor. O debate se deu durante audiência pública da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) da Câmara dos Deputados, na tarde desta terça-feira (3/12). Foram pelo menos 21 requerimentos, todos apresentados por parlamentares de oposição ao governo, para que fosse convocado o ministro para prestar esclarecimentos sobre temas relacionados à Segurança Pública. 

Durante o debate sobre imunidade parlamentar, o ministro da Justiça destacou que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) tem reconhecido limites à proteção constitucional que cobre manifestações de parlamentares. “É claro que a jurisprudência poderá evoluir. Mas os inquéritos que estão levados pela Polícia Federal que têm por objeto um crime dessa natureza, em tese, não estão cobertos pela imunidade parlamentar. Essa é a posição do Supremo. Agora, enfim, a jurisprudência pode variar. Eu acho que há limites para tudo. Não há nenhum direito absoluto, nem o direito à vida, nem o direito à liberdade, muito menos o direito à livre expressão parlamentar”, afirmou Lewandowski.

Em sua defesa, van Hattem enfatizou que não cometeu crimes contra a honra e classificou como incorreta a alegação de que decisões judiciais estariam flexibilizando a imunidade parlamentar. “Estamos tratando aqui da imunidade parlamentar, porque fiz uma fala na tribuna. Se é um crime contra a honra que eu estou cometendo, que me prenda. Sabe por que não, ministro? Porque a covardia age nas sombras, age nos processos secretos, age na clandestinidade dos inquéritos fake do Supremo Tribunal Federal, que, aliás, eu acho que nem o ministro conhece”, disse o parlamentar diante do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, presente na audiência.

Marcel relembrou um acórdão (Petição n.º 6587/2017) em que o Ricardo Lewandowski, enquanto ministro do STF, defendeu de forma enfática a garantia constitucional. “Na época, Lewandowski afirmou que ‘o fundamento e a razão de ser do instituto da imunidade parlamentar reside na proteção à separação de Poderes e na habilidade do Parlamento para deliberar com independência e integridade, livre da opressão e da intimidação do Poder Executivo’. Eu me pergunto: o que mudou? Vossa Excelência estava corretíssimo e vai continuar corretíssimo, se continuar respeitando a Constituição e continuar respeitando esse Parlamento”, destacou. 

Van Hattem voltou a denunciar pela quarta vez a atuação do delegado da Polícia Federal, Fábio Shor exibindo novamente sua foto durante sua fala. “Quando a Polícia Federal indicia um parlamentar, ela está indiciando o povo brasileiro. E é por isso que eu quero saber se Vossa Excelência vai tomar as atitudes necessárias dentro do seu ministério para coibir a perseguição política e judicial que ora ocorre, inclusive a opinião sobre este meu caso, que deve ser de conhecimento de todos. Fábio Alvarez Shor: vai ter consequência o que esse delegado da Polícia Federal está fazendo hoje, caro ministro, e também me dirijo ao diretor-geral da Polícia Federal, que já foi convidado aqui mas é mais um que não atende os convites desta comissão. Quero que os abusadores que me atacam tenham o devido processo legal”, finalizou Marcel van Hattem.

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“O Alexandre de Moraes não me cala. Nunca me calou e não vai me calar hoje. O Brasil é um país que não se cala. Lula voltou ao poder, tentaram nos calar, teve gente que se amedrontou, teve gente que foi presa, inclusive, dois símbolos dessa injustiça que eu preciso citar hoje, Filipe Martins e Jair Messias Bolsonaro. Duas pessoas que não se dobraram à injustiça, representando milhares e milhares de brasileiros perseguidos. Mas nós estamos neste 7 de Setembro, Dia da Pátria, reunidos em Porto Alegre, pra dizer que o tempo deles está acabando. O Brasil vai se libertar. Nós somos os verdadeiros donos do Brasil”, afirmou Marcel.