“Maracutaia em Brasília parece infinita”: Marcel van Hattem destaca suspensão de edital bilionário do Porto de Santos pelo TCU

"Não foi coincidência, foi conflito de interesse. A suspensão do edital do Porto de Santos e o impedimento do ministro Bruno Dantas mostram que a fiscalização funciona quando alguém tem coragem de apertar o botão certo. A maracutaia em Brasília parece infinita, mas nós, do partido Novo, vamos continuar cobrando transparência e responsabilização, caso fique comprovada a ilegalidade nesse processo", enfatizou Marcel van Hattem (Novo-RS), um dos autores da representação.
14 de agosto de 2026

A partir de uma representação do Novo e de parlamentares da oposição, o ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), determinou nesta quarta-feira (12) a suspensão do edital que resultou na cessão de uma área de 242 mil m² no Porto de Santos ao Consórcio Portolog, por R$ 1,06 bilhão e vigência de 20 anos. A decisão atende, em parte, à representação protocolada em julho, que apontou a suspeita de conflito de interesse do ministro Bruno Dantas com a empresa vencedora do processo, que tem a esposa como sócia do consórcio vencedor.

“Não foi coincidência, foi conflito de interesse. A suspensão do edital do Porto de Santos e o impedimento do ministro Bruno Dantas mostram que a fiscalização funciona quando alguém tem coragem de apertar o botão certo. A maracutaia em Brasília parece infinita, mas nós, do partido Novo, vamos continuar cobrando transparência e responsabilização, caso fique comprovada a ilegalidade nesse processo”, enfatizou Marcel van Hattem (Novo-RS), um dos autores da representação.

Na decisão, Nardes considerou que havia elementos suficientes para justificar a suspensão e determinou que a Autoridade Portuária de Santos (APS) interrompa o andamento das ações decorrentes do edital e dos atos seguintes, diante do risco de grave prejuízo aos cofres públicos e ao interesse público. O relator apontou como especialmente preocupante o risco de que a execução do contrato, já assinado entre a APS e o Portolog, criasse direitos de difícil reversão e bloqueasse por décadas áreas estratégicas para a expansão do porto.

A representação é assinada por Adriana Ventura (Novo-SP), Marcel van Hattem (Novo-RS), Luiz Lima (Novo-RJ), Gilson Marques (Novo-SC), Evair de Melo (Republicanos-ES), Bia Kicis (PL-DF), Alfredo Gaspar (PL-AL), além do senador Eduardo Girão (Novo-CE).

Cinco pontos de irregularidade apontados na representação

A análise técnica do TCU, incorporada à decisão do relator, organizou o caso em cinco pontos considerados irregulares: a reclassificação da área de “afeta” para “não afeta” à operação portuária sem alteração formal do plano de zoneamento do porto; a escolha de um modelo de contratação que teria afastado o controle prévio da ANTAQ e do próprio TCU; uma cláusula do edital considerada restritiva à competitividade; o prazo curto, de menos de 25 dias, para apresentação de propostas de um projeto bilionário; e a ligação da empresa vencedora com a esposa do ministro Bruno Dantas.

O relator também citou um parecer recente da ANTAQ, que reconheceu incompatibilidade entre a classificação da área como não afeta e o que prevê o plano de zoneamento do porto de 2020, além de uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que restabeleceu a suspensão do processo, apontando restrições à concorrência e prazo insuficiente para apresentação de propostas.

Bruno Dantas se declara impedido

Embora o pedido dos representantes para afastar de imediato o ministro Bruno Dantas do caso tenha sido negado por Nardes, que citou regra interna do TCU segundo a qual apenas as partes diretamente envolvidas no processo podem pedir o afastamento de um ministro, o próprio Dantas registrou termo formal reconhecendo seu impedimento para atuar nos autos do processo.

Na decisão, o relator também determinou que a APS e o Consórcio Portolog sejam ouvidos no prazo de 15 dias, e abriu a possibilidade de a APS e o Ministério de Portos e Aeroportos apresentarem informações sobre os possíveis impactos de uma futura anulação do edital.

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“O Alexandre de Moraes não me cala. Nunca me calou e não vai me calar hoje. O Brasil é um país que não se cala. Lula voltou ao poder, tentaram nos calar, teve gente que se amedrontou, teve gente que foi presa, inclusive, dois símbolos dessa injustiça que eu preciso citar hoje, Filipe Martins e Jair Messias Bolsonaro. Duas pessoas que não se dobraram à injustiça, representando milhares e milhares de brasileiros perseguidos. Mas nós estamos neste 7 de Setembro, Dia da Pátria, reunidos em Porto Alegre, pra dizer que o tempo deles está acabando. O Brasil vai se libertar. Nós somos os verdadeiros donos do Brasil”, afirmou Marcel.