“Eu não estava lá, eu não estava em Brasília no momento e fui presa”, afirma Tatiane Marques presa pelos atos de 8 de janeiro.

"Audiências públicas como esta são importantes para expor o nível de maldade e crueldade que está sedo cometido contra seres humanos que merecem direitos como qualquer cidadão. Lamentavelmente, no Brasil, os direitos humanos estão sendo seletivos: aplicados conforme a ideologia ou opinião política de cada um, e não com base nos atos cometidos”.
16 de julho de 2025

“O meu ônibus saiu de de Santa Maria (RS), na sexta-feira (06/01), e nós chegamos em Brasília no domingo (08/01) à noite. As depredações e os atos de vandalismo ocorreram na tarde de domingo, por volta das 19h. Eu apenas armei minha barraca, jantei e fui dormir. E amanheci sequestrada e presa. Fiquei quatro meses presa em regime fechado, na Colmeia. Aquele lugar não é feito para pessoas de bem. É feito para bandidos, assassinos, estupradores. Não para mães de família, pais de família, trabalhadores honestos, que nunca tiveram problemas com a justiça. Lá dentro, comíamos comida estragada. Sofremos tortura física. Ficamos doentes, sem atendimento médico adequado. Os meus filhos ficaram sozinhos, morando com o avô paterno, que teve que se mudar para minha casa e cuidar deles. Eu não estava lá, eu não estava em Brasília no momento, fui presa e condenada a 4 anos.”

O relato foi dado por Tatiane Marques durante Audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, proposta pelo deputado estadual Felipe Camozzato (NOVO-RS), que tratou sobre as vítimas gaúchas do 8 de janeiro. Essa foi a primeira vez que o assunto foi tema de audiência no Parlamento gaúcho. Para Camozzato, relatos como o de Tatiane comprovam que há erros graves no processo do 8 de janeiro e ”dar voz a essas ilegalidades que mostram que grande parte desse processo é uma farsa é papel da Comissão de Direitos Humanos, explica o deputado.

De acordo com a advogada da Associação dos Familiares e Vítimas do 08 de janeiro (ASFAV), Carolina Siebra, foram mapeados 102 gaúchos envolvidos no processo de 8 de janeiro: 

“É importante dizer que esses processos estão muito distantes dos princípios dos direitos humanos desde o início. Começa pelo fato de que o foro onde essas pessoas estão sendo julgadas não é o competente. Elas não deveriam estar sendo julgadas pelo STF, pois não têm foro por prerrogativa de função.O que nós pedimos, desde o dia 8 de janeiro, é apenas uma coisa: justiça. Nada além disso.

Quem cometeu algo que seja punido na medida da lei. Quem não cometeu, que seja absolvido. Que ninguém fique dois anos e meio preso sem julgamento justo, sem provas claras, sem condições humanas mínimas”, defende Carolina Siebra. 

Para o deputado federal Marcel van Hattem (NOVO-RS), os depoimentos da audiência desta segunda-feira (14) são importantes para “expor o nível de maldade e crueldade que está sedo cometido contra seres humanos que merecem direitos como qualquer cidadão. Lamentavelmente, no Brasil, os direitos humanos estão sendo seletivos: aplicados conforme a ideologia ou opinião política de cada um, e não com base nos atos cometidos”.

O presidente da OAB/RS, Leonardo Lamachia, destacou a importância de audiências como esta para se discutir as graves situações que estão ocorrendo no país: “Causa imensa preocupação vermos, por parte da Suprema Corte do país, em algumas decisões, desrespeito ao devido processo legal e às prerrogativas da advocacia”.

Já o desembargador aposentado Sebastião Coelho considera um escândalo a falta de individualização das condutas. “Quando não há individualização, não há possibilidade de uma defesa adequada, porque o réu sequer sabe do que está sendo acusado”, afirma o desembargador.

A audiência contou ainda com os depoimentos de Carmen de Rossi, esposa de Robergson Rossi – que segue preso preventivamente; Zenira Englert, mãe de Eduardo Englert – que está com tornozeleira eletrônica; Ressoli de Melo condenado no processo de 8 de janeiro, Leonir Streppel Segala, mãe do preso Everton Segala, e Evelyn Reinick, esposa de Ricardo Pedro Ramos – preso no 8 de janeiro. 

A íntegra da audiência pode ser conferida em https://www.youtube.com/watch?v=vKJXuC4xdQs.

Mais notícias

notícias
“O Alexandre de Moraes não me cala. Nunca me calou e não vai me calar hoje. O Brasil é um país que não se cala. Lula voltou ao poder, tentaram nos calar, teve gente que se amedrontou, teve gente que foi presa, inclusive, dois símbolos dessa injustiça que eu preciso citar hoje, Filipe Martins e Jair Messias Bolsonaro. Duas pessoas que não se dobraram à injustiça, representando milhares e milhares de brasileiros perseguidos. Mas nós estamos neste 7 de Setembro, Dia da Pátria, reunidos em Porto Alegre, pra dizer que o tempo deles está acabando. O Brasil vai se libertar. Nós somos os verdadeiros donos do Brasil”, afirmou Marcel.